sábado, 21 de dezembro de 2013

Pergaminho PRIMEIRA PARTE

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O
LIVRO
DE
MELQUISEDEQUE
(Uma Parábola)   Diógenes Lopes de Oliveira



O LIVRO DE MELQUISEDEQUE


“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei os lábios  em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos”Sl.78:1,2. 

Os Rolos do Mar Morto No deserto da Judéia, no litoral do Mar Morto, próximo a Jerico, acampava-se uma tribo semibeduína conhecida como Taamireh. Era o início da primavera de 1947, quando um dos filhos daquela tribo, Muhammad edh-Dhib, um 
jovem de apenas 15 anos de idade, pastoreava o rebanho de seu pai. Ao retornar para casa, descobriu que estava faltando uma cabra. Deixando o rebanho seguro no curral, retornou sem demora à procura da que havia se transviado. 
Depois de caminhar por muitas partes em busca da cabra perdida, o beduíno sentou-se junto à uma gruta, vencido pelo cansaço. Não sabia que os seus passos errantes o conduziram naquele entardecer para próximo de um tesouro de inestimável valor. Ele encontrava-se naquele momento na região noroeste do Mar MortoAhmed, o seu irmão mais velho ,ao ouvir sua história, riu de sua falta de coragem. Ahmed, contudo, não conseguia esquecer-se daqueles vasos que seu irmão afirmara ter visto no interior da caverna; E se existisse dentro deles tesouros? Esse pensamento fez com que perdesse o sono naquela noite. Assim que o dia raiou, pediu que seu irmão o levasse àquele lugar de onde fugira.Cheios de esperança e coragem rumaram naquela manhã em direção ao possível tesouro. 
Olhando atentamente para o interior da caverna, Ahmed constatou que, realmente, havia jarros ali. 
Cheio de euforia, passou a remover os pedregulhos que estreitavam aquela abertura, até que conseguiu resvalar-se para dentro da gruta. Estava muito escuro a princípio, mas suas vistas foram-se acostumando e, dentro de instantes, viu-se cercado pelos vasos de barro. Com muito cuidado, evitando que se quebrassem, foi tomando-os, um por um, e passando-os para o irmão, que ficara do 
lado de fora.

Curioso para ver o que havia naqueles vasos, Ahmed saltou para fora da Gruta. Ao introduzir a mão num daqueles vasos, tirou um embrulho feito de panos de linho. Abriram-no na expectativa de encontrar ouro ou pedras preciosas, mas os irmãos ficaram decepcionados ao descobrirem apenas um 
rolo, feito de coro de cabras. Em todo o rolo, havia uma escrita que não puderam decifrar. Os demais jarros traziam igualmente grandes rolos de couro. 
Os beduínos ficaram, inicialmente, sem saber o que fazer com aqueles rolos. A primeira idéia 
foi a de devolvê-los à caverna; Mas, pensando melhor, decidiram vendê-los para algum sapateiro ou colecionador de coisas antigas. 
Khalil Iskander Shahin, conhecido como Kando, tinha uma sapataria em Belém. Remendava uma bolsa quando dois beduínos entraram em sua sapataria, arrastando consigo sete grandes rolos. 
Colocando-os sobre o balcão, perguntaram o quanto ele poderia pagar por todo aquele couro. 
Analisando os rolos, viu que estavam muito envelhecidos e, com certeza, não lhe seriam úteis. 
Khalil estava para despedir os moços quando, atraído por aquelas escritas, resolveu adquiri-los, pensando em revendê-los para algum colecionador de antigüidades. Pagou então uma ninharia por eles, e os rapazes, ainda que cansados por todo esforço, saíram felizes. 
Durante alguns dias, os rolos permaneceram esquecidos em um canto da sapataria, enquanto Khalil, procurava em vão despertar o interesse de seus clientes por eles. 
Athanasius Y. Samuel, arcebispo metropolitano do Mosteiro São Marcos, em Jerusalém, tomou conhecimento sobre os rolos através de um membro de sua paróquia que os vira na sapataria de Khalil. Dirigiu-se até lá e, como não conseguia carregar todos, adquiriu quatro deles. Alguns dias depois, Khalil vendeu os outros três para o professor Eleazer 
Lipa Sukenik da Universidade Hebraica de Jerusalém. 
Ao analisar os quatro rolos, Athanasios conscientizou-se de haver adquirido uma preciosidade. 
Decidido a fazer fortuna com sua venda, levou-os clandestinamente para os Estados Unidos, onde passou a oferecê-los para pessoas e instituições que acreditava poderem se interessar por eles. 
Ninguém, contudo, aceitou sua proposta, pois o preço exigido era muito alto. 
Desanimado, Athanasios decidiu, numa última tentativa, colocar um anúncio no Wall Street 
Journal


Preço Multiplicado 

Era início de 1954, quando o General Yigael Yadin, Chefe do Estado-Maior do Exército 
Israelense, ao ler o Wall Street Journal, foi atraído para o pequeno artigo que falava daqueles quatro rolos encontrados no Mar Morto, contendo manuscritos bíblicos datados entre 100 a 200 anos a.C.; 
Sua aquisição poderia ser ideal para instituições educacionais ou religiosas. 
Yigael era filho do professor Eleazer, que comprara os três últimos rolos. Desde então, eles estavam desesperados à procura dos outros quatro. 
Depois de recortar o anúncio, Yigael ligou imediatamente para o aeroporto, exigindo uma 
passagem no próximo vôo para os Estados Unidos. Jamais fizera uma viagem sentindo-se tão ansioso; Aquelas horas de vôo pareciam-lhe uma eternidade.
Ao desembarcar, dirigiu-se imediatamente ao endereço indicado no anúncio. Chegando ao 
local, viu que várias pessoas, atraídas pelo anúncio, faziam uma grande fila para conhecerem os tais rolos. Seria uma loucura permitir que elas entrassem antes dele, por isso, encaminhando-se para junto da porta, colocou-se como o primeiro da fila. Alguns começaram a reclamar, mas ele, tocando na porta, desculpou-se, afirmando ser amigo de Athanasius. 
Ao ouvir os toques na porta, Athanasios, que mostrava a um possível comprador os 
pergaminhos, foi ver quem era. Sem saber que tinha diante de si o General do Exército Israelense, 
Athanasios foi rude, mandando-o esperar pela sua vez. Isto o fez passar vergonha diante das pessoas, a quem havia afirmado há pouco ser amigo daquele homem. Começaram então fortes protestos e, alguns se adiantaram querendo tirá-lo a força de seu primeiro lugar na fila. Nesse momento, Yigael, que não queria revelar sua identidade, vociferou com fúria, mostrando sua alta patente confirmada 
por uma credencial que ergueu aos olhos de todos. Esse gesto fez com que o sentimento de 
humilhação e vergonha se transferisse para aqueles que o afrontaram. 
Ao chegar a sua vez, Yigael, sem se identificar, perguntou para Athanasios o valor que ele 
esperava receber pelos rolos. Não querendo ainda lhe dar o preço, convidou-o a ver os pergaminhos. 
Yigael, ressentido pelo tratamento que havia recebido, disse secamente que não estava ali movido pela curiosidade, querendo simplesmente admirar-se ante aqueles rolos; Estava ali para comprá-los. 
Assim, para não perderem tempo, gostaria de saber o quanto pagaria por eles. 
 Athanasios que, dominado pelo desânimo, estava a ponto de vendê-los por qualquer preço que cobrisse suas despesas de viagem, abaixou, a cabeça e meditou: Se conseguisse vendê-los por $ 5.000 já estaria bom; Mas não lhe custaria pedir mais: quem sabe dez vezes mais, $ 50.000; Ou mesmo cinqüenta vezes cinco. Seus lábios então pronunciaram o preço de $ 250.000.  
Prontamente, Yigael tomou seu talão e preencheu um cheque de 250.000 dólares. Ele o faria Prontamente, Yigael tomou seu talão e preencheu um cheque de 250.000 dólares. Ele o faria com a mesma determinação, ainda que o processo multiplicador continuasse na mente do ancião em dezenas de outras operações. 
Ao conferir no cheque o valor daquela fortuna, Athanasios ficou possuído por um sentimento 
misto de alegria e vergonha, pois o mesmo continha a assinatura do Chefe do Estado-Maior do Exército Israelense, a quem pouco antes tratara com estupidez. 
Quando a porta novamente se abriu, a fila de curiosos foi aniquilada pelos passos daquele que já havia sido herói de muitas batalhas, e que conduzia, sob os poderosos braços, os rolos da Gruta 1, a sua maior conquista. Agora, os sete rolos eram propriedade do Estado de Israel, que desfrutava seus primeiros anos de independência, depois de um desterro de milênios. 
Ao serem os sete rolos cuidadosamente analisados por eruditos em Israel, comprovou-se que se tratavam dos mais antigos manuscritos já descobertos pelo homem, datados de tempos anteriores aos dias de Cristo. Um dos rolos, o mais conservado dos sete, apresentava uma cópia do livro de Isaías 
que, ao ser comparado com as cópias modernas, trouxe a certeza de que não houve nesses dois milênios nenhuma alteração de sua mensagem profética. 
Os demais manuscritos, também de grande importância, são: O Manuscrito de Lameque, 
conhecido como O Apócrifo de Gênesis, que apresenta um relato ampliado do Gênesis; A Regra da Guerra, que descreve a grande batalha final entre os filhos da luz e os filhos das trevas, sendo os descendentes das tribos de Levi, Judá e Benjamim retratados como os filhos da luz, e os edomitas, moabitas, amonitas, filisteus e gregos representados como os filhos das trevas. Há também um pergaminho com Os Hinos de Ação de Graças (Hodayot), uma seqüência de 33 salmos que eram cantados, em cultos de adoração ao Criador, o grande Adonai. 
O que os Eruditos Encontraram 
Dois anos depois da experiência daqueles jovens beduínos, dois arqueólogos, G. L. Harding e 
R. De Vaux, auxiliados por quinze habitantes daquela região do Mar Morto, começaram novas buscas nas proximidades daquela caverna que viria a ser conhecida como Gruta 1. Em dois anos de incansáveis pesquisas, descobriram as ruínas do Mosteiro de Khirbet Qumran, uma propriedade dos essênios. Dentre os muitos objetos ali descobertos, encontraram uma sala onde os manuscritos eram 
preparados, ao qual deram o nome de scriptorium. Foram encontrados naquela sala dois tinteiros, ambos contendo restos de tinta de carvão do tipo usado nos pergaminhos. Encontraram também uma escrivaninha, ao lado da qual havia concavidades que, possivelmente, eram usadas para armazenar 
água limpa, com a qual o piedoso escriba purificava as suas mãos, ao iniciar as cópias das Sagradas 
Escrituras, ou mesmo antes de escrever o nome divino. 
Um grande terremoto, ocorrido no ano de 31 a.C., trouxe muitos danos ao Mosteiro de Khirbet 
Qumran, exigindo a reconstrução de alguns de seus compartimentos. Em 68 AD, com o avanço da Décima Legião Romana, comandada por Vespasiano, o Mosteiro foi completamente destruído, e a maior parte de seus ocupantes mortos ou levados cativos. Existem muitos indícios de que tenha sido por esta ocasião que os essênios, no intuito de preservar seus preciosos rolos, esconderam-nos nas 
cavernas. 


 As Grutas 2 a 10 

Enquanto os arqueólogos prosseguiam as escavações das ruínas do Mosteiro Essênio, alguns beduínos, incentivados pelas descobertas da Gruta 1, empreenderam-se em incansáveis buscas, vasculhando toda aquela região montanhosa do Mar Morto em busca de novos vasos. 
No mês de fevereiro de 1952, descobriram finalmente, ao sul da Gruta 1, a Gruta 2, na qual encontraram partes de dezessete manuscritos bíblicos e uma porção maior de manuscritos não bíblicos. Ao todo, eram 187 fragmentos. 
Com a descoberta da Gruta 2, a atenção dos arqueólogos e de todos aqueles pesquisadores do Mar Morto, voltou-se para as cavernas. Deixando as escavações daquele Mosteiro, iniciaram uma exploração sistemática em toda a área de Qumran. Um mês depois, no dia 14 de março, encontraram a Gruta 3. Além de centenas de fragmentos de outros manuscritos, encontraram nesta caverna um documento muito especial: eram três folhas de cobre muito fino, cada qual medindo 0,30 m por 0,80 
m. Examinando aquelas lâminas de cobre, descobriram que compunham originalmente um único rolo, pois suas extremidades traziam as marcas de seu ligamento. O estudo posterior deste documento revelou-se de grande importância, pois trazia detalhadas informações sobre as demais grutas que 
continham documentos e tesouros. 
À medida que novas grutas eram descobertas, novos documentos vinham à luz, fazendo crescer o interesse pelo assunto que passou a ser amplamente divulgado pelos jornais e revistas, criando um clima de grande expectativa. Tudo era tão fantástico que até mesmo pessoas incrédulas começaram a pressentir naquelas descobertas algo miraculoso, como se um poder sobrenatural houvesse reservado, 
nas entranhas daquelas rochas, uma mensagem para um mundo que, somente naquela metade de século, havia experimentado os horrores de duas grandes guerras, que pareciam prenunciar o fim do mundo, como retratado em muitos daqueles manuscritos. 

Depois da descoberta da Gruta 6, em setembro de 1952, as buscas foram intensificadas, não 
trazendo, contudo, nenhuma nova descoberta por um período de quase três anos. Na manhã do dia 2 
de fevereiro de 1955, quando, vencidos pelo desânimo, estavam a ponto de suspenderem as buscas, 
foram agraciados pela descoberta da Gruta 7. Ainda que os documentos encontrados nessa caverna se mostrassem muito danificados, os arqueólogos sentiram-se renovados em seu ânimo de prosseguirem com as procuras, certos de que teriam novas recompensas. Esta perspectiva não foi 
frustrada, pois entre os dias 2 de fevereiro e 6 de abril de 1955, haviam sido agraciados com os tesouros das Grutas 7, 8, 9 e 10. Com todo esse sucesso, intensificaram ainda mais as buscas, porém sem nenhum resultado.


O Presente de um Rei 
 (Uma Parábola Baseada em Fatos Reais) 


Dez grutas já haviam lançado de suas escuras entranhas centenas de documentos de incalculável valor, 
enriquecendo toda a humanidade com um patrimônio jamais sonhado.
 Muitos arqueólogos, satisfeitos com o que fora 
encontrado até então, empreendiam, ao lado de peritos, a organização de todos aqueles documentos, muitos até então 
mantidos empilhados em seus acampamentos. Nem sequer passava-lhes pela cabeça o pensamento de que a maior de todas as descobertas ainda estava para vir. 
Num dia ensolarado de janeiro de 1956, quatro beduínos irmãos caminhavam errantes por entre as rochas que se elevam ao norte do Mar Morto. Não haviam saído naquele dia com a intenção de procurar cavernas; Contudo, num gesto involuntário, seus olhos detinham-se em cada fenda de rocha, pois, no decorrer daqueles anos, procurar buracos nas rochas tornara-se um hábito na vida daqueles beduínos.
 Quando os encontravam, imediatamente enfiavam neles a cabeça à procura de vasos. 
Muitos deles já haviam conseguido, por causa desse costume, elevadas somas de dinheiro que, 
dificilmente ganhariam em todo um ano. 
Foi assim que o mais velho deles, ao descobrir numa das rochas uma pequena abertura, correupara lá para observar. Tudo o que conseguiu ver a princípio foi a escuridão que reinava no silêncio da caverna. Contudo, pondo em prática um dos segredos que somente os beduínos caçadores de vasos conheciam, permaneceu encarando as trevas, esperando vê-las fugir. Unicamente aqueles que eram 
suficientemente corajosos para encararem as trevas por Pouco a pouco, o interior da gruta foi clareando aos seus olhos, e a figura nítida de um jarro começou a revelar-se. Feliz, o beduíno correu para os seus irmãos, contando-lhes sobre sua descoberta. 


Aquele, abaixo do mais velho, correu para certificar-se, e encontrou um segundo vaso ao lado do primeiro. Cheio de alegria, correu para anunciar aos irmãos. 
Veio então o terceiro beduíno que, sem nenhuma pressa, passou a encarar a escuridão, até vê-la desfazer-se quase por completo. Aos seus olhos revelaram-se três vasos, sendo o terceiro um pouco maior que os dois primeiros. Estava muito contente com esta descoberta, mas não tinha pressa em revelá-la aos irmãos, por isso, permaneceu por longo tempo observando-os. 
Os beduínos, imaginavam, agora, a forma como poderiam retirar aqueles jarros. Ficaram a princípio desanimados, ao perceberem que a boca da caverna era muito estreita. Concluíram que, para apossarem-se daquele tesouro, teriam de quebrar e remover muitas pedras, até que a boca da caverna pudesse engolir um deles. 

Estavam ao ponto de desanimarem, quando aquele que descobriu o terceiro vaso teve uma 
idéia: apontando para o irmão mais novo, que era ainda uma criança, disse aos irmãos: 
- Se jogarmos o garoto dentro da caverna, ele poderá nos passar os vasos. 
 A idéia, comemorada com risos, foi ouvida com angústia pelo menino. Ele começou a chorar, implorando que seus irmãos não o lançassem naquele lugar escuro, de onde não saberia sair. 
Rindo da agonia do garoto, os três beduínos agarraram-no com força, lançando-o de cabeça para baixo.  

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A caverna, por milênios adormecida, tinha agora o seu silêncio quebrado por gritos de agonia e dor. Ao cair no fundo daquela gruta escura e fria, o garoto ficou ferido, e, em seu desamparo, passou a clamar em vão por socorro. Em meio àquelas profundas trevas, o menino temia ser devorado por Sheitan, o espírito mau das cavernas. 
Pouco a pouco, os gritos de desespero do pequeno beduíno começaram a cessar, à medida que as trevas iam fugindo de seus olhos. Contudo, a dor dos ferimentos era intensa, e somava-se a ela o desamparo de seus irmãos. Foi em meio a esse sofrimento que o menino começou a descobrir, um por um, aqueles três vasos anunciados por seus irmãos. 
Observando-os de perto, o menino conseguia ver neles belezas as quais seus irmãos não conseguiam perceber, por estarem do lado de fora da caverna. 
O primeiro jarro tinha dentro de si dois rolos muito conservados: o Livro de Levítico e o Livro de Ezequiel. 
Assentando-se sob a abertura da caverna, onde havia claridade, o beduíno abriu o Livro de 
Levítico, encontrando um texto que o consolou, pois falava de livramento: 

"Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, isto é, o tempo de sete semanas de anos, 
quarenta e nove anos. No sétimo mês, no décimo dia do mês, farás vibrar o toque da trombeta em todo o país. Declarareis santo o qüinquagésimo ano e proclamareis a libertação de todos os moradores da terra. Será para vós um jubileu: cada um de vós retornará ao seu patrimônio, e cada um de vós voltará ao seu clã"(1) 

A leitura sobre o ano jubileu, devolveu-lhe ao coração ferido a certeza de que seria liberto 
daquela gruta em que seus irmãos o lançaram. 
Depois de reler várias vezes o texto sobre o jubileu da libertação, o garoto começou a entender que ele falava de um tempo determinado para o livramento. 

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Com o coração renovado pela certeza de que seria finalmente liberto, o beduíno tomou o 
segundo rolo, o Livro de Ezequiel. Naquele livro, encontrou uma história muito parecida com a sua: a história de Israel. 
Quando era menino, Israel vivia feliz em sua tenda, gozando dos favores de seu pai. Muitas 
vezes, por cometer pecados, sofria terríveis conseqüências que afetavam não somente a sua honra, como também a de Seu Criador. Por causa de suas transgressões, Israel foi levado para um longo e doloroso cativeiro entre as nações. Nos últimos dias, contudo, retornaria para a sua terra, tornando-senovamente uma nação independente. Chegaria então o dia em que numerosos exércitos, comandados 
por Gog, o chefe de Meseque, procurariam destruí-lo. Quando esse tempo chegasse, haveria uma terrível batalha como nunca houve, ficando Israel retido sob um grande cerco. Sem possibilidades humanas de escaparem, clamariam pelo socorro divino, e seriam acudidos no momento de maior 
aperto, através de um grande livramento. Esse acontecimento marcará o início de uma semana de que será decisiva para toda a humanidade. Naquele tempo os filhos de Belial se aliarão contra os filhos da Luz, mas serão finalmente eliminados com a manifestação do Messias(2). O livramento prometido nos livros de Levítico e Ezequiel, para um dia determinado no calendário bíblico, trouxe alegria ao coração daquele beduíno. Consolado por esta esperança, tomou o segundo jarro que continha um rolo igualmente conservado do Livro de Salmos e, abrindo-o, passou a ler as seguintes palavras: 
"Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram iniquidade. 
Porque cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura. 
Confia no Senhor e faz o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado; 
Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. 
Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele e ele tudo fará. E ele fará sobressair a tua 
justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. 
Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu 
caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira e abandona o furor; não te indignes para fazer o mal. Porque os malfeitores serão desarraigados, mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olhará para o seu lugar, e não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.(3) 

Enquanto meditava nas palavras de consolo do Livro de Salmos, o pequeno beduíno ouvia os 
gritos irados de seus irmãos exigindo-lhe os jarros. Depois de retirar deles todos os rolos, entregou-os aos irmãos que, silenciando-se, prosseguiram em seu caminho.

-------*****--------- 

Aproveitando a luminosidade que descia pela abertura da caverna, o beduíno abriu o quarto 
rolo que falava sobre a Nova Jerusalém. A leitura daquele livro pareceu transportá-lo para distante daquela caverna, para as glórias de um reino de eterna paz. Revelou-se aos seus olhos um novo céu e uma nova Terra, nos quais habitará a justiça e o amor. Naquele reino de perfeição, incontáveis galáxias, repletas de mundos de luz girarão harmoniosamente em torno de uma nova Terra, povoada 
por um povo santo e feliz. Ocupando todo o Oriente Médio, encontrar-se-á a Nova Jerusalém, cujas muralhas serão de pedras preciosas e os portais de pérolas. As avenidas da cidade serão de ouro puro, e suas mansões de finos cristais. Dentro dos murais da cidade, ao norte, estará para sempre o jardim 
do Éden no meio do qual eleva-se o monte Sião, o lugar do trono divino. Do trono jorra o rio da vida, brilhante como cristal, fluindo lentamente pelo meio da cidade rumo ao Sul (4). 
Enquanto aguardava uma possível salvação vinda da parte de seus irmãos, o beduíno abriu o quinto rolo que trazia lindos salmos que descreviam a felicidade e a paz que os remidos desfrutarão na Cidade de Deus, onde não haverá mais morte, nem pranto, nem dor. 
Com o coração repleto das alegrias expressas pelos salmos do quinto rolo, o menino tomou o 
sexto rolo. Ao abri-lo, encontrou o Livro de Jó. Relatava a história de um homem muito rico, 
possuidor de muitas fazendas, servos e gado. Ele tinha uma linda esposa, três filhas e sete filhos. Jó era temente e íntegro, e desviava-se sempre do mal. Todos os dias, oferecia sacrifícios em prol de seus filhos, e orava pela sua proteção. 
Certo dia, Satanás fez um desafio ao Criador, afirmando-lhe que a fidelidade de Jó era 
resultado de seu egoísmo, pois era homem próspero. Aceitando o desafio, Deus permitiu que seu servo fosse severamente provado. E aconteceu que, num único dia, Jó perdeu tudo: suas três filhas, seus sete filhos, seus servos, suas fazendas e seu gado. Mesmo assim, Jó louvou ao Criador, recusando blasfemar de Seu nome. 
Ao ler sobre a desgraça que se abateu sobre Jó, o menino começou a temer que tudo aquilo 
viesse a se cumprir em sua vida. Há poucos instantes, haviam-lhe tirado os três vasos, será que haveria de perder também seus rolos? 

Com esta preocupação, envolveu-os em seus braços, evitando que escapassem. Mas ao olhar 
para eles, ficou consolado com a certeza de que suas promessas finalmente se cumpririam, e viveria liberto e feliz no Reino da Luz. 
Enquanto meditava, esperando por um possível livramento, viu apagar pouco a pouco a 
luminosidade do entardecer que chegava a ele através da pequena abertura. À medida que as trevas iam aumentando, crescia-lhe no coração o medo de estar sozinho. Agarrando-se aos rolos, procurava não se desesperar, lembrando-se das promessas de que seria liberto. 
O pequeno beduíno, com a alma dilacerada, começou a gritar por socorro, mas ninguém 
estendia-lhe a mão. Lembrando-se do jubileu, passou a clamar desesperadamente pelo socorro do Senhor, mas foi massacrado pelo Seu silêncio. Começaram a sobrevir-lhe então terríveis tentações, induzindo-o a pensar que o Criador fora injusto com ele, abandonando-o naquelas trevas. Mesmo assim, o pequeno beduíno continuava abraçado aos pergaminhos, esperando pela salvação prometida. 

Uma voz rouca, cheia de ira, bradou-lhe do fundo da caverna: 
 - Você ainda mantém-se apegado a esses rolos que o enganaram? Lança-os por terra, pois 
são manuscritos falsos, sem nenhum valor. 
Aflito, o menino respondeu: 
- Ainda que eu morra nesta escuridão, eu jamais deixarei estes rolos, pois eles me dão 
esperança. 

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Naqueles momentos difíceis, o menino começou a pensar em seus irmãos. Imaginou-os 
carregando aqueles jarros vazios e teve por eles compaixão. Eles não sabiam que, ao excluírem-no de seu meio, deixaram de receber importantíssimas revelações contidas naqueles rolos que, ainda que envoltos em trevas, traziam a certeza de um alvorecer. 
Enquanto pensava em seus irmãos, o medo de estar sozinhoo foi diminuindo, dando lugar a um sentimento de paz, como se houvesse ao seu lado a presença de um amigo. Subitamente toda a caverna iluminou-se, como se fosse dia. Ao olhar para a cavidade de onde emanava a luz, viu um lindo vaso. Ao aproximar-se dele, prostrou-se agradecido ao ver nele o desenho de um rei que sorria, 
tendo nas mãos um alaúde. Aos pés do rei, 
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****************************sedeque e de Abraão com sua oferta figurados no jarro, e a 
declaração de que se comemorava um grande livramento, devolveu ao menino a paz e a certeza da salvação. Abraçando o vaso numa tentativa de abraçar seus dois amigos, passou a amá-los profundamente. 
Com muito cuidado, para não danificar o vaso, o beduíno conduziu-o para debaixo da boca da 
caverna, onde deixara os demais rolos. Ao olhar para o seu interior, sua alma ficou inundada por uma indizível paz, e pareceu ouvir acordes cheios de ternura vindos do alaúde do rei.

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Dentro do jarro o beduíno encontrou um grande rolo: O Livro de Melquisedeque. O rolo era composto por dois manuscritos, costurados um ao outro. Eles traziam caligrafias distintas, com assinaturas de Abraão no primeiro e de 
Melquisedeque no segundo. 
Em seu manuscrito, o patriarca conta a fascinante história do livramento de Ló e de muitos habitantes de Sodoma, levados cativos por um poderoso exército. Acompanhado por apenas 300 pastores armados com tochas, bordões e chifres de carneiro, ele obteve completa vitória sobre os numerosos inimigos. Abraão continua contando a história de Salém, conforme ouviu dos lábios de Melquisedeque por ocasião de um banquete que seguiu ao livramento, quando entregou-lhe o dízimo 
de suas riquezas e alegraram-se comendo pão e vinho. 
Abraão termina contando sobre outro encontro que teve com o rei de Salém sete anos depois, quando o presenteou com um lindo jarro que continha o seu manuscrito.  
Melquisedeque que no decorrer daqueles anos registrara em um rolo revelações detalhadas 
sobre a história do Universo, num gesto de humildade e gratidão, uniu os dois manuscritos formando um único rolo, no qual os seus escritos vieram a ocupar o segundo lugar. Depois de selado, aquele tesouro foi colocado no jarro, sendo levado pouco tempo depois para um esconderijo seguro: uma caverna situada ao norte do Mar Morto. O grande rolo permaneceria em silentes trevas até chegar o 
momento de sua revelação ao mundo, por ocasião do último jubileu 



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Tendo em mãos um tesouro tão precioso, o beduíno esqueceu-se de toda a agonia vivida 
naquela caverna. Sua atenção voltava-se agora para a última parte do rolo, onde Melquisedeque 
descrevia a Nova Jerusalém. O relato era muito parecido com as revelações do quarto manuscrito. 
Sua linguagem tinha igualmente o poder de transportar o leitor para aquele reino de amor e paz, dando-lhe uma visão nítida das glórias da Cidade de Deus: seus murais de pedras preciosas; seus portais de pérolas; suas avenidas de ouro puro; suas mansões de refulgentes cristais; o rio da vida que 
nasce do trono; o jardim do Éden. Podia-se até mesmo ouvir o cântico dos anjos e das multidões de remidos reunidos diante do trono. 
Cheio de alegria, o menino uniu a voz ao coro angelical, louvando ao Eterno, cuja bondade é 
infinita. Enquanto cantava, notou um brilho que saía de dentro do jarro, inundando toda a caverna. 
Ao olhar, descobriu no fundo do jarro uma caixinha de ouro com adornos de pedras preciosas. Na tampa da caixa havia uma inscrição em hebraico que dizia: Um presente do Rei de Salém para aquele que encontrar o jarro com o rolo, revelando-o ao mundo. 

Sentindo-se indigno de estender a mão para tomar para si aquele presente, o menino ficou ali encurvado por algum tempo. Finalmente, ganhou forças e coragem, tomando a caixinha de ouro, a qual abriu cuidadosamente. 
Havia nela lindas pérolas de tamanhos variados. O brilho dessas jóias espalhou-se por toda a caverna, criando um ambiente de muita alegria e paz. 
Tomando uma das pérolas, o menino sentiu que dela emanava energia que dava-lhe forças e 
paciência para aguardar pelo livramento. Ao observá-la, descobriu nela três inscrições em hebraico: 
Melquisedeque que significa Rei da Justiça, Jerusalém e o seu nome. 
Depois de contemplar demoradamente a pérola que trazia o seu nome, ele olhou para dentro da caixinha e viu muitas outras; Eram ao todo 144 pérolas. Depois de contá-las, lembrou-se de sua missão: deveria, o quanto antes, sair daquela caverna com o tesouro, compartilhando-o com o mundo. Consciente da urgência de sua missão, começou a procurar alguma maneira de sair dali. 
Pareceu-lhe inicialmente impossível sair, pois a boca da caverna ficava muito acima de sua cabeça, não podendo alcançá-la. 
Depois de raciocinar em busca de uma alternativa, concluiu que, se subisse no vaso, alcançaria o buraco. Na primeira tentativa, obteve vitória, saindo da caverna. Estava agora livre, sob o sol de uma linda manhã, respirando, depois de muitas horas, o ar fresco. 
Depois de saltar de alegria pela liberdade alcançada, o pequeno beduíno lembrou-se dos rolos e do vaso que o salvara daquele abismo. Sabia que, depois de toda aquela experiência, não conseguiria jamais viver longe daquele tesouro. Lembrou-se também de sua missão de tirar da caverna o vaso com o seu tesouro, revelando-o ao mundo. 
Decidido, saltou novamente para dentro da caverna, evitando, na queda, tombar sobre o vaso. 
Feriu-se novamente, mas estava consolado pela certeza de que muito em breve todo aquele 
sofrimento passaria, e veria muitas pessoas alegrando-se com sua mensagem 
Imaginava agora o que poderia fazer para levar o vaso para fora. Teve inicialmente a idéia de 
colocar o jarro sobre a cabeça, empurrando-o para fora. Essa solução, contudo, o deixaria retido na gruta, pois não teria depois em que subir para alcançar a abertura da caverna. Mesmo assim, se não descobrisse uma outra maneira de sair juntamente com o vaso, ele daria a ele preferência, para que o   mundo conhecesse a mensagem ddos rolos.
 O pensamento de ficar retido naquela prisão, contudo, o entristecia, pois ficaria impossibilitado de testemunhar o engrandecimento do vaso perante as nações. 
Não encontrando nenhuma outra solução para libertar o vaso com os rolos, levantou-os 
cuidadosamente rumo à passagem, mas a mesma revelou-se por demais estreita para contê-los. 
Desesperava-se por não encontrar uma solução, quando uma voz soou-lhe aos ouvidos, 
dizendo: 
 - Leia a última parte do rolo, onde a sua história é contada. 
Imediatamente abriu o rolo, e procurou pela sua história. Ao encontrá-la, saltou tudo o que já sabia, até chegar àquele momento em que estava com o Livro nas mãos. Passou a ler as seguintes palavras: 

"Na hora de sua maior angústia, o beduíno lembrou-se do meu Rolo, e, ao lê-lo, ficou sabendo sobre uma machadinha e sobre os restos de tecidos deixados junto ao vaso: Com a machadinha ele ampliou a boca da caverna, e com os tecidos fez uma corda com a qual puxou o vaso para fora". 
Depois de ler esta declaração do Rei de Salém, o pequeno beduíno começou a procurar, até que 
viu a machadinha descrita, como também os restos de tecidos, com os quais preparou a corda. 
Começou logo em seguida a executar sua tarefa: com a machadinha nas mãos, subiu no jarro e, depois de jogá-la para fora, saltou atrás. Sob um sol escaldante, passou a escavar a rocha, removendo muitos pedregulhos que entulhavam a boca da gruta. Era um trabalho muito cansativo, tendo muitas vezes de parar para descansar. Ao chegar à noite, saltou novamente para junto do vaso, retornando na 
manhã seguinte ao trabalho.

Ao ver que a fenda fora ampliada o suficiente, o menino pulou para dentro da cova a fim de 
concluir os últimos preparativos. Depois de colocar os sete rolos dentro do jarro, amarrou-o firmemente com a corda de pano, retornando ao exterior da caverna, pronto para realizar a parte mais emocionante de todo aquele trabalho. 
Ao puxar com todas as forças da alma e dos músculos aquele jarro para fora, ele sentia pela primeira vez aemoção de um pai que, depois de ansiosa espera, vê sair do ventre de sua esposa o primeiro filho. 
Quando os sete rolos, protegidos por aquele lindo jarro, chegaram à superfície a salvo, o 
beduíno chorou de alegria. Todo aquele passado de lutas e sacrifícios ficaria agora no esquecimento.
Lembrando-se de seus três irmãos,passou a sentir um grande amor por eles.Tinha vontade de saltarlhes ao pescoço, para agradecer todo o bem que haviam lhe feito, lançando-o naquela escura gruta. 
Foi com esse espírito de alegria, amor e perdão, que o pequeno beduíno, tomando sobre si o pesado fardo, 
começou uma longa e penosa caminhada em direção ao acampamento de sua tribo Taamireh, junto ao Mar Morto. 






A História de um Jarro 

(AQUI COMEÇA  A HISTÓRIA QUE MUDOU A MINHA VIDA  .) M.Galvao 
( Manuscrito de Abraão) 

PRIMEIRA PARTE 

Eu estava descansando sob a sombra do Carvalho de Mambré, junto à tenda, quando vi chegar apressadamente um dos servos de meu sobrinho Ló. Quase sem fôlego, ele passou a relatar-me sobre a tragédia: houvera no dia anterior uma 
batalha entre as cidades da planície, envolvendo quatro reis contra cinco. Como resultado, Sodoma fora derrotada e 
muitos de seus habitantes levados cativos, entre eles o meu sobrinho Ló. A notícia deixou-me muito aflito, pois ao mesmo tempo em que sentia que precisaria sair em seu socorro, via-me frágil, sem nenhuma possibilidade de me sair vitorioso. 
Sempre fui um homem pacífico e detesto aqueles que derramam sangue. Tenho muitos servos, mas poucos sabem manejar espadas e lanças, pois desde a infância são treinados como pastores. Em lugar de espadas, eles manejam bordões com os quais conduzem os rebanhos. Em lugar de escudos, carregam vasos em suas cinturas, sempre cheios de água fresca para matarem sua sede e refrigerarem as ovelhas cansadas. Em lugar de vinho para se embebedarem, carregam presos em seus cintos 
pequenas botijas com o azeite das oliveiras, com os quais untam as feridas do rebanho. 
Em lugar de ressonantes trombetas eles sopram pequenos chifres, com os quais convocam o rebanho para o curral.

Imaginando como seria um combate entre os meus servos e os exércitos daqueles cinco reis 
vitoriosos, comecei a rir. Enquanto gargalhava, a voz d’Aquele que sempre me guia, soou aos meus ouvidos, dizendo: 
- Abraão, Abraão! Não menosprezes os instrumentos dos pastores, pois santificados pelo fogo do sacrifício, haverão de conquistar o grande livramento. 
O Eterno passou a dar-me ordens, fazendo-me avançar pela fé, sem saber como tal livramento 
haveria de realizar-se.



O primeiro passo foi a convocação de todos os pastores que, deixando seus rebanhos, dirigiram-se ao Carvalho de Mambré, trazendo seus instrumentos pastoris. Eram ao todo 600 pastores. 
Ordenei que eles esvaziassem os jarros, colocando neles o azeite da botija. 
 Depois de cumprirem esta ordem, pedi que tomassem cada um a lã de uma ovelha, misturando-a com o azeite dos jarros. 

Depois de transmitir todas as ordens aos pastores, o Eterno falou-me: 


 - Toma agora o teu vaso, o teu único vaso, e traga-mo a mim para que eu te mostre o que 
deves fazer”. 
Tínhamos na tenda três jarros adquiridos na cidade de Harã; Nos dois menores, guardávamos o azeite para as 
lâmpadas, e no terceiro que era o maior e mais bonito, guardávamos pérolas e pedras preciosas, jóias reunidas por Sara ao 
longo de nossas peregrinações. Julgando ser o terceiro jarro o escolhido, estendi as mãos para toma-lo, mas o Senhor 
impediu-me de faze-lo, afirmando que, ainda que ele fosse portado de riquezas que seriam essenciais para o livramento, Ele escolhera um jarro especial – aquele que fora rejeitado e esquecido. 
Lembrei-me do grande jarro de barro que nos fora presenteado por um humilde oleiro, quando estávamos 
próximos de Canaã. Nós o pusemos inicialmente ao lado dos três, e nele colocamos os primeiros frutos colhidos na terra 
prometida. Não havendo, contudo, nenhuma beleza nele, Sara o rejeitou, lançando-o para fora da tenda. Sete anos depois, o oleiro visitou-nos e, ao encontrá-lo abandonado junto à tenda, mostrou-nos uma maneira em que ele poderia ser útil. 
Amarrando-o firmemente com uma corda de linho, lançou-o ao fundo do poço; Por meio dele, os pastores passaram a tirar água para os rebanhos. 
Seguindo as orientações do Eterno, dirigi-me ao poço, fazendo emergir de suas profundezas o jarro esquecido; Ao vê-lo repleto de água, lembrei-me do momento em que ele fora lançado ali, vazio e seco. Depois de esvaziá-lo, o Eterno ordenou-me transferir para ele o azeite dos dois jarros menores bem como as jóias 
do terceiro. Como sobrara muito espaço vazio no jarro, o Eterno ordenou completá-lo com azeite novo de oliva. 
Ao concluir essa tarefa, o Senhor mandou-me fazer um longo pavio de lã, devendo ficar uma de suas pontas mergulhada no azeite e a outra suspensa sobre o vaso. 
Depois destas coisas, o Eterno ordenou-me a acender o pavio com o fogo do altar. 
Ao aproximar-me do fogo sagrado que ainda ardia sobre o sacrifício da manhã, uma pequena 
fagulha saltou para o pavio, e pouco a pouco foi-se alimentando do azeite, até tornar-se numa 
labareda que podia ser vista de longe.
 --------***** --------- 
Com o vaso nos ombros, comecei uma longa caminhada rumo às cidades da planície, sendo acompanhado pelos pastores. Logo começaram a surgir escarnecedores que, ao verem-me com aquele vaso incandescente em pleno dia, 
passaram a dizer que eu ficara louco. 
Ao espalhar esta notícia, muitos vieram ao meu encontro, aconselhando-me a retornar para a tenda, abandonando aquele jarro que seria capaz de destruir a boa reputação que eu havia conquistado entre eles. 
Quando eu lhes falei sobre os exércitos e sobre minha missão juntamente com os pastores, eles 
concluíram que de fato eu ficara louco. Tentaram tirar-me o vaso pela força, mas, agarrando-me a ele, impedi que o tirassem de mim.

A HISTÓRIA CONTNUA... VEJA 2 PARTE


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