o Messias.
Ele já pagou o resgate, em breve virá para tomar o Reino.
Prepare-se ! Veja os temas relacionados nos outros bolgs que tenho publicado.
Seria um grande risco expor-se à violência gratuita daquela cidade. Esse pensamento o fez
deter-se a um passo do portal, onde estremecido curvou a fronte em indizível luta íntima.
Era tentado a recuar, mas lutava com todas as forças de sua alma contra esse
pensamento de fracasso.
Sodoma, Melquisedeque tomou uma firme decisão: como um destemido guerreiro haveria de
avançar, e, mesmo que tivesse de enfrentar o acúmulo de todos os perigos, prosseguiria, até erguer
em suas mãos vitoriosas o cetro amado
Resoluto e esperançoso, transpôs o portão de Sodoma, mergulhando naquele mundo estranho.
Tudo ali era o oposto de Salém, começando pelas pedras ásperas e sujas de suas construções. Sodoma
era um reino de trevas.
A presença contrastante do príncipe foi logo notada por muitos que, em tumulto, o cercaram.
A pureza de caráter expressa em sua meiga face eDominados pela fúria, o esplendor de suas vestes encheram-nos de espanto,e recuaram como que vencidos por uma força invisível.Dominados pela fúria passaram a persgui-lo à distância, decididos a fazê-lo recuar. Jogavam-lhe pedras e lama tentando macular-lhe as vestes, mas não o atingiam, enquanto ele avançava em sua ansiosa busca.Desistiram finalmente persegui-lo ao entaadecer.
A pureza de caráter expressa em sua meiga face eDominados pela fúria, o esplendor de suas vestes encheram-nos de espanto,e recuaram como que vencidos por uma força invisível.Dominados pela fúria passaram a persgui-lo à distância, decididos a fazê-lo recuar. Jogavam-lhe pedras e lama tentando macular-lhe as vestes, mas não o atingiam, enquanto ele avançava em sua ansiosa busca.Desistiram finalmente persegui-lo ao entaadecer.
O filho de Adonias percorrera todas as ruas e becos à procura do precioso cetro, mas em vão.
Ao ver tombar no horizonte o sol, anunciando a chegada de mais uma escura e fria noite, seu coração
ficou opresso por uma grande agonia. Ali, naquele último beco, quase vencido pela exaustão e pelo
desespero, inclinou a fronte, desfazendo-se em pranto. Seus lábios pronunciaram em meio aos
soluços as seguintes palavras:
- Salém, Salém, você não pode perecer! O seu cetro precisa ser redimido das garras da
rebeldia! Mas quando e onde vou encontrá-lo?! Já não restam forças em mim e a esperança de
redimi-lo antes da noite me abandona!
O príncipe, em sua suprema angústia, não percebia que outro gemido de dor, procedente de
cordas arrebentadas de um alaúde humilhado, fazia-se ouvir naquele entardecer.
Subitamente, o fraco gemido penetrou seus ouvidos, reanimando-o com a certeza de que o
grande momento da redenção havia chegado. Enxugando as lágrimas, reuniu as últimas forças
correndo em direção a uma pequena casa situada sobre um monte, de onde parecia vir o som.
Ao dirigir-se à porta entreaberta, deteve-se ao contemplar uma cena chocante, de humilhante
escravidão: Samael, envolvido por um manto sujo, castigava o cetro de Salém. Tanto o rapaz quanto
o cetro achavam-se tão desfigurados, que não restavam neles quase nenhum traço da glória perdida.
Aquele cetro, contudo, mesmo arrasado como estava, era muito precioso, pois nele jazia o selo do
domínio de Salém.
A contemplação daquele que fora seu maior amigo e daquele cetro idealizado como símbolo de
toda a harmonia, em tão trágica condição, comoveu profundamente o príncipe, fazendo-o chorar em
alta voz. Somente então o súdito rebelde percebeu sua presença indesejada. Estremecido, levantou-se,
e, cheio de ira perguntou-lhe:
- O que o trouxe a Sodoma?
Apontando para o cetro danificado, Melquisedeque exclamou:
- A glória de Salém está destruída!!!
Com uma gargalhada, Samael zombou de sua tristeza, dizendo:
- Agora eu sou o rei de Salém. Vocês que são fiéis ao pergaminho, tornar-se-ão meus escravos.
Sem se importar com as palavras de afronta de Samael, o príncipe, movido por uma infinita
angústia, disse-lhe:
- Samael, Salém está ferida por sua traição. Por que você trocou o seu lar de justiça e amor
por esse vale de injustiça, ódio e morte?! Agora, se não deseja retornar à Salém arrependido,
devolva-lhe o cetro. Foi para redimi-lo que, a despeito de todos os perigos, desci a esse vale hostil.
Conhecendo o propósito do príncipe, o rebelde encheu-se de raiva e, cerrando os punhos, disse-
lhe :
-Eu o odeio Melquisedeque!
Tendo dito isto, arremessou o cetro ao chão, e pisando-o acrescentou:
- Tenho vontade de fazer o mesmo com você.
ao feliz passado, lembrava-se dos momentos felizes em que tinha sempre ao seu lado a Samael. Ele
era um jovem puro e humilde de coração. Por que permitira ser escravizado pela ilusão do orgulho e
do egoísmo?! Quão doloroso era ver aquele jovem que, por sua beleza e simpatia, havia sido honrado
acima de todos os súditos, agora arruinado pela cobiça! Não fora o sonho do príncipe ter junto ao seu
trono glorificado, aquele que lhe era o mais precioso amigo?! Essa tragédia feria-lhe a alma. Contudo, a triste condição do cetro o atingia ainda mais, pois ele fora feito como o símbolo de toda a
harmonia, e estava sendo desfeito sob os pés da ingratidão.
Surpreso por não ver nos olhos de Melquisedeque nenhuma expressão de temor, porém de
piedade, Samael sentiu-se frustrado em suas afrontas que visavam amedrontá-lo, levando-o desistir
de sua missão.
Diante da postura digna do príncipe, que em silente dor o contemplava, sentiu-se
envergonhado. Essa fraqueza, contudo, foi banida pelo orgulho que dominava o seu coração.
Começou então a planejar algo terrível, para humilhar e ferir o príncipe, fazendo-o sofrer ainda mais.
Com escárnio disse-lhe:
- O cetro de Salém poderá ser seu, se você conseguir pagar-me o preço de seu resgate.
Com um brilho nos olhos, o príncipe perguntou-lhe:
- Qual é o preço?
Samael, com um sorriso maldoso, respondeu-lhe pausadamente:
- O preço não é ouro nem prata, mas dor e sangue. Você deverá despir-se completamente de
suas vestes, deitando-se ao chão. Deverá suportar nessa condição, espancamentos, até que o sol se
ponha. Se você estiver disposto a submeter-me, sem reagir, o cetro será inteiramente seu.
Estremecido ante tão cruel proposta, o filho de Adonias olhou para o sol que pairava distante
sobre uma nuvem. Passou a travar em seu coração uma luta intensa. A princípio, o horror do
sacrifício quase o dominou, levando-o recuar, mas o pensamento de ver Salém escravizada pela
rebeldia, levou-o finalmente à decisão de pagar o preço do resgate, entregando-se ao humilhante
sofrimento.
Tendo tomado a firme decisão de resgatar o cetro, o príncipe tirou as vestes, colocando-as
sobre uma pedra. Deitou-se em seguida naquele solo frio, com a fronte voltada para o poente.
Impiedosamente, Samael começou a espancá-lo, fazendo uso do próprio cetro como
instrumento de tortura. Gemendo pela dor dos golpes que o faziam sangrar, o príncipe mantinha o
olhar fixo no sol que parecia deter-se sobre a nuvem. Atordoado pela dor, contemplou finalmente o
sol prestes a se pôr. Alentado pela vitória que se aproximava, murmurou baixinho:
- Salém, Salém, daqui a pouco terei em meus braços o teu cetro precioso que, em minhas mãos,
tornar-se-á num instrumento de justiça e paz.
Ouvindo a promessa do príncipe feita por entre gemidos, Samael bradou-lhe com fúria:
- O seu sofrimento não trará nenhum alvorecer para Salém, pois suas mãos jamais serão
capazes de tocar no cetro.
Depois de fazer essa afronta, Samael apossou-se de uma pedra pontuda, preparando-se para
desferir os últimos golpes.
Enquanto pensava sobre a feliz vitória de Salém, Melquisedeque sentiu seu braço direito ser
comprimido pelos pés de Samael. Seguiu a esse rude gesto um golpe que o fez contorcer-se em
. Sua mão fora vazada cruelmente, passando a jorrar abundante sangue da ferida aberta. Essa
mesma violência foi descarregada logo depois sobre sua mão esquerda.
Não suportando a agonia causada por esses derradeiros golpes, o filho de Adonias,
ensangüentado, mergulhou nas trevas de um profundo desmaio.
-------*****-------
Ao cessar de golpear o príncipe, o súdito rebelde ficou possuído por um estranho horror, ao
contemplar na face daquele que somente lhe fizera o bem, o torpor da morte. Procurava não recordar
o passado, mas, irresistente, sentia ser arrastado aos dias de sua feliz inocência em Salém. Revestido
de ricas vestes estava sempre ao lado do príncipe que, com dedicação, ensinava-lhe a cada dia suas
canções falando de paz.
Nas indesejadas lembranças pelas quais era arrastado, reviveu seus primeiros passos no
caminho do orgulho e do egoísmo. Lembrou-se dos incessantes conselhos e rogos daquele que fora
seu melhor amigo, para que desistisse daquele caminho que poderia conduzi-lo à infelicidade.
Depois de ser arrastado em lembranças por todo aquele passado de felicidade destruída por sua
culpa, Samael teve consciência de sua ingratidão. Horrorizado pelo que fizera, curvou-se sobre o
corpo ensangüentado de Melquisedeque, e desesperou-se ao vê-lo sem vida. Não suportando o peso
da grande culpa, deixou às pressas aquele lugar, desejando ocultar-se distante, sob as trevas da fria
noite.
------*****------
Depois de um profundo desmaio, o príncipe começou a voltar à consciência. Em delírios que o
transportavam ao seio de sua amada Salém, ele revivia momentos vividos e sonhados. Com alegria
contemplava a face de seu maior amigo, para quem estendeu a mão com um sorriso. Mas seu gesto
foi frustrado por uma profunda dor. Em meio aos aplausos dos súditos vitoriosos, recebe de seu pai o
cetro, mas, ao tocá-lo, sente uma irresistível dor em suas mãos.
Com esses sonhos frustrados pela dor, Melquisedeque despertou para a realidade. Estava nu,
ferido e solitário, em um lugar perigoso, longe do abrigo e carinho de Salém. Mais doloroso era
pensar que tudo aquilo era a retribuição de alguém que fora o alvo principal de todas as dádivas de
seu amor.
O príncipe, sem poder mover-se, considerando a grande traição, passou a chorar sem consolo.
Lamentava não por sua dor, mas pela perdição daqueles que haviam trocado o carinho e a justiça de
Salém pelo desprezo e ódio que os reduziriam finalmente a cinzas sobre aquele vale condenado.
Através das lágrimas, o príncipe contemplava o céu que, semelhante a um manto tinto de
sangue, estendia-se banhado na luz do sol poente. Lembrou-se então do alaúde pelo qual pagara tão
alto preço. Onde estaria ele?
Em sua desesperada fuga, Samael deixara o cetro abandonado junto ao corpo ferido de
Melquisedeque. Quando ele o viu, esqueceu-se de toda a dor, e alcançou-o com suas mãos feridas.
Acariciando-lhe o bojo arruinado, disse-lhe com um sorriso:
- Você é meu novamente. Eu o comprei com o meu sangue.
--------******---------
Samael que, dominado pelo estranho horror, fugira após cometer o horrível crime, deteve-se a
um passo do portão de Sodoma. Ali impulsionado pelo orgulho, arrependeu-se com indignação de
sua fraqueza. Por que fugira depois de conquistar tão grande vitória? Não era seu plano destruir o
reino de Salém, para estabelecer seu próprio reino? Lembrando-se do cetro, decidiu retornar para
tomá-lo. Por que o deixara abandonado junto ao cadáver daquele odiado príncipe?
Reunindo suas poucas forças, Melquisedeque dirigiu-se tropegamente ao lugar em que deixara
suas vestes.
Depois de vestir-se, tendo junto ao peito o cetro amado, o filho de Adonias, com profunda
emoção, fez um juramento antes de deixar aquele lugar de seu sofrimento. Acariciando o cetro,disse-lhe:
- Meu querido cetro, você foi criado como um emblema da harmonia que procede da justiça e
do amor. Toda a glória de Salém repousava sobre você quando a rebeldia em sua ingratidão
escravizou-o, arrastando-o para este vale hostil. Aqui você foi ferido e humilhado, vindo a tornar-se
um instrumento de impiedade nas mãos do tirano. Eu, porém, o redimi com o meu sangue. Agora
nossas feridas serão restauradas, e em breve seremos entronizados em meio aos louvores de uma
Salém vitoriosa. Quando esse sonho se concretizar, testemunharemos juntos o fim daqueles que se
levantaram contra nós para nos ferir. Samael e seus seguidores serão devorados pelo fogo que
reduzirá a cinzas Sodoma e Gomorra.
Concluindo seu solene juramento, o jovem príncipe, já oculto pelas trevas da noite, deixou
aquela colina, e sobre ela as marcas de seu sofrimento.
--------******--------
Desde que o filho do rei partira, prometendo retornar com o cetro, Salém vivia momentos de
indizível anseio. Em pranto, o rei e os súditos remanescentes lembravam-se de todo aquele feliz
passado desfeito pela ingratidão dos rebeldes. O que mais lhes torturava era a ausência do príncipe e
do cetro, sem os quais todo o brilho daquele reino de paz se ofuscaria.
Desejando consolar o coração de seus súditos, Melquisedeque avançava em meio à noite rumo
aos montes que cercavam Salém. Ainda que enfraquecido e ferido, prosseguia em sua marcha
ascendente, esperando alcançar sua pátria pela manhã.
Aquela longa e escura noite foi finalmente vencida pelos raios do alvorecer. Em Salém a
esperança em rever Melquisedeque com o seu cetro estava quase banida quando, ao olharem para o
Monte das Oliveiras, viram-no descendo pelo caminho do Getsêmani. Quando o encontraram no
profundo vale de Cedrom, ficaram assustados com sua aparência: sua face estava pálida e seu manto
encharcado de sangue. Mesmo assim, ele sorria expressando grande alegria.
Ao perguntarem-no sobre o porquê daquelas marcas de sangue, Melquisedeque retirou de sob o
manto suas mãos feridas, revelando-lhes entre elas o cetro redimido.
Depois de contar-lhes os passos que o levaram ao resgate do cetro, os súditos, emudecidos,
prostraram-se reverentes aos seus pés, aclamando-o como seu redentor e rei.
Em meio aos louvores das hostes redimidas, o príncipe foi introduzido no palácio real, onde,
sob os cuidados de seu amoroso pai, deveria restabelecer-se de seu sofrimento. O cetro desfigurado,
agora mais precioso, seria também restaurado, devendo tornar-se mais belo que antes.
O dia da coroação foi fixado para o próximo Yom Kipur. Naquele dia, Melquisedeque selaria
com o cetro restaurado o triunfo de todos os fiéis, bem como a condenação dos rebeldes.
--------*****-------
Poucos instantes após a saída de Melquisedeque, Samael chegara ao local onde o deixara
aparentemente sem vida, ao lado do alaúde. Sem entender aquele misterioso desaparecimento, ele
prosseguiu para Gomorra, onde seus seguidores o esperavam. Ao vê-los, proclamou sua “vitória”
sobre o odiado príncipe e sobre o cetro, os quais massacrara em Sodoma, não restando aos
seguidores do pergaminho nenhuma esperança.
emoção, fez um juramento antes de deixar aquele lugar de seu sofrimento. Acariciando o cetro,disse-lhe:
- Meu querido cetro, você foi criado como um emblema da harmonia que procede da justiça e
do amor. Toda a glória de Salém repousava sobre você quando a rebeldia em sua ingratidão
escravizou-o, arrastando-o para este vale hostil. Aqui você foi ferido e humilhado, vindo a tornar-se
um instrumento de impiedade nas mãos do tirano. Eu, porém, o redimi com o meu sangue. Agora
nossas feridas serão restauradas, e em breve seremos entronizados em meio aos louvores de uma
Salém vitoriosa. Quando esse sonho se concretizar, testemunharemos juntos o fim daqueles que se
levantaram contra nós para nos ferir. Samael e seus seguidores serão devorados pelo fogo que
reduzirá a cinzas Sodoma e Gomorra.
Concluindo seu solene juramento, o jovem príncipe, já oculto pelas trevas da noite, deixou
aquela colina, e sobre ela as marcas de seu sofrimento.
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Desde que o filho do rei partira, prometendo retornar com o cetro, Salém vivia momentos de
indizível anseio. Em pranto, o rei e os súditos remanescentes lembravam-se de todo aquele feliz
passado desfeito pela ingratidão dos rebeldes. O que mais lhes torturava era a ausência do príncipe e
do cetro, sem os quais todo o brilho daquele reino de paz se ofuscaria.
Desejando consolar o coração de seus súditos, Melquisedeque avançava em meio à noite rumo
aos montes que cercavam Salém. Ainda que enfraquecido e ferido, prosseguia em sua marcha
ascendente, esperando alcançar sua pátria pela manhã.
Aquela longa e escura noite foi finalmente vencida pelos raios do alvorecer. Em Salém a
esperança em rever Melquisedeque com o seu cetro estava quase banida quando, ao olharem para o
Monte das Oliveiras, viram-no descendo pelo caminho do Getsêmani. Quando o encontraram no
profundo vale de Cedrom, ficaram assustados com sua aparência: sua face estava pálida e seu manto
encharcado de sangue. Mesmo assim, ele sorria expressando grande alegria.
Ao perguntarem-no sobre o porquê daquelas marcas de sangue, Melquisedeque retirou de sob o
manto suas mãos feridas, revelando-lhes entre elas o cetro redimido.
Depois de contar-lhes os passos que o levaram ao resgate do cetro, os súditos, emudecidos,
prostraram-se reverentes aos seus pés, aclamando-o como seu redentor e rei.
Em meio aos louvores das hostes redimidas, o príncipe foi introduzido no palácio real, onde,
sob os cuidados de seu amoroso pai, deveria restabelecer-se de seu sofrimento. O cetro desfigurado,
agora mais precioso, seria também restaurado, devendo tornar-se mais belo que antes.
O dia da coroação foi fixado para o próximo Yom Kipur. Naquele dia, Melquisedeque selaria
com o cetro restaurado o triunfo de todos os fiéis, bem como a condenação dos rebeldes.
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Poucos instantes após a saída de Melquisedeque, Samael chegara ao local onde o deixara
aparentemente sem vida, ao lado do alaúde. Sem entender aquele misterioso desaparecimento, ele
prosseguiu para Gomorra, onde seus seguidores o esperavam. Ao vê-los, proclamou sua “vitória”
sobre o odiado príncipe e sobre o cetro, os quais massacrara em Sodoma, não restando aos
seguidores do pergaminho nenhuma esperança.
Suas palavras agradaram a turba rebelde, que passou a comemorar a “conquista”, entregando-se
à orgia. Zombavam agora da justiça e do amor, exaltando a Samael como rei vitorioso.
Obteriam agora armas, com o propósito de avançarem sobre Salém, desferindo-lhe o último
golpe. Juntaram-se a eles, em seu maléfico propósito, muitos criminosos que foram recebidos como
mestres no manejo de arcos e flechas.
Em sua loucura, Samael ordenou o banimento de todo calendário, pois em seu reino de
“liberdade” não estariam sujeitos a nenhum cômputo de tempo. As leis da moralidade foram também
banidas, surgindo com isso um completo caos. Essa desordem revelou-se de maneira mais patente no
barulho estridente e cacofônico, ao qual proclamaram como a nova música.
Dominados pelo egoísmo, Samael e seus seguidores alimentavam-se de ilusões, inconscientes
de que seus dias estavam contados. Os frutos da rebelião não tardariam a atrair sobre eles o fogo da
destruição.
Dividindo seus seguidores em pequenos grupos, Samael passou a comandá-los em atos
violentos que aterrorizavam os moradores das planícies. Por esse tempo, eles escondiam-se nas
cavernas situadas próximas ao mar salgado.
O respeito e o medo dos guerrilheiros de Samael levaram finalmente os reis de quatro cidades a
procurarem-no, propondo alianças de paz. Eram eles: Bara, rei de Sodoma; Bersa, rei de Gomorra;
Senaab, rei de Adama; Semeber, rei de Seboim, e Segor, o rei de Bela. Por essa época, esses reis
pagavam tributos a Cordolaomor, rei de Elam, que, acompanhado pelos exércitos de quatro outras
cidades, os haviam subjugado no vale de Sidim junto ao mar salgado.
Fortalecido pelas alianças, Samael tornou-se mais ousado em suas investidas, levando o terror e
a destruição aos territórios de cidades distantes. Os exércitos de Cordolaomor e seus aliados que
retornavam nesses dias de outras conquistas, enfurecidos pelas provocações de Samael, marcharam
contra os quatro reis, vencendo-os novamente no vale de Sidim. Foi nessa ocasião que levaram
cativos os habitantes de Sodoma, entre os quais encontrava-se o meu sobrinho Ló.
Acovardados diante do furor dos cinco reis, Samael e seus seguidores esconderam-se em suas
cavernas, ao norte do mar salgado
.
---------******---------
Os doze meses contados a partir do grande sacrifício estavam prestes a terminar. O cetro,
totalmente restaurado, resplandecia em seu estojo, enquanto o príncipe, igualmente restabelecido das
feridas causadas pela rebeldia, alegrava-se ao ver chegar o Yom Kipur de sua coroação. Enquanto
isso, ele compunha lindas canções que expressavam o seu amor por Salém.
Naqueles doze meses, a cidade da paz tornara-se mais bela, sendo adornada qual noiva para o
grandioso dia da coroação.
A uma semana para o Yom Kipur, Samael, totalmente inconsciente de que o dia de seu
julgamento se aproximava, reuniu os seus seguidores, anunciando-lhes que a próxima missão seria a
conquista de Salém. Antes de avançarem, contudo, ele subiria sozinho para verificar os pontos
vulneráveis da cidade.
Depois de ser aplaudido pela turba, Samael partiu em sua missão de reconhecimento. Enquanto
avançava sozinho, procurava não se lembrar daqueles momentos que lhe trouxeram terror pela culpa,
mas, dominado por uma força superior, foi arrastado em suas lembranças para aquele monte da cruel
tortura.
Todo o seu passado começou a vir-lhe à lembrança, como um peso esmagador.
Quando despertou de suas lembranças, das quais não conseguiu fugir, já era noite. A escuridão
que o envolvia pareceu-lhe o prenúncio de um triste fim. Esse desânimo, contudo, procurou bani-lo
com a lembrança do exército que o esperava, pronto para cumprir suas ordens, na conquista de
Salém, onde não haveria lembranças daquele pergaminho.
O alvorecer o alcançou próximo de Salém. Ao avistar o monte das Oliveiras, veio-lhe à
lembrança a última vez que o transpôs, deixando para trás a cidade vencida. Quantas noites haviam
passado desde então? Ele perdera a noção de tempo, não sabendo que justamente doze meses haviam
se passado. Não podia imaginar que raiava naquela manhã o Yom Kipur, o dia de seu julgamento.
Ao chegar ao topo do monte das Oliveiras naquela manhã, Samael surpreendeu-se ao ver que a
cidade tornara-se mais bonita que outrora. Toda ela estava adornada de ramos e flores, como uma
donzela à espera de seu noivo. Contudo, Salém estava abandonada, não havendo nenhum sinal de
vida em todas as suas mansões. Isto o fez concluir que os golpes, que haviam aniquilado o príncipe e
o cetro, trouxeram como conseqüência todo aquele abandono. Ele não sabia, contudo, que naquele
momento todos os remanescentes daquele reino, encontravam-se ocultos no grande salão do palácio,
aguardando pelo momento mais glorioso da coroação de Melquisedeque.
Imaginando-se exaltado sobre o trono abandonado, tendo a seus pés os exércitos vitoriosos, o
rebelde penetrou na cidade, dirigindo-se apressadamente ao palácio. Ao transpor o portal principal
que dava entrada ao salão principal, ficou surpreso ao ver ali reunida uma multidão de fiéis. Sobre
um áureo tablado, enfeitado de flores talhadas em pedras preciosas, encontra-se o trono vazio. Na
base do trono estava o pergaminho das leis, uma coroa de ouro cheia de pedras preciosas e o estojo
que deixara vazio naquela noite de traição. Sem entender o enigma, Samael escondeu-se por trás de
uma coluna, temendo ser reconhecido, e ficou observando.
Os súditos, com expressão de feliz expectativa, olhavam para o trono vazio. Onde encontravam
eles motivos para toda essa alegria, se haviam perdido o seu rei juntamente com o cetro? Samael
questionava sobre esse mistério, quando Adonias, aplaudido pelos súditos, encaminhou-se para junto
do trono. Com voz cheia de emoção pela vitória, o fundador de Salém anunciou que havia chegado o
momento tão sonhado da coroação. Um brado de triunfo ecoou pelos ares quando, anunciado pelo
seu pai, entrou o amado príncipe encaminhando-se em direção ao trono. Ao vê-lo coberto por um
manto de glória, Samael ficou possuído por um terrível pavor, e procurou fugir. Descobriu, contudo,
que todos os portais do grande salão estavam fechados por fora.
Teve início a cerimônia da coroação. Era um momento deveras solene. Adonias, num gesto
reverente, tomou a rica coroa, colocando-a na fronte de seu filho. Prostrando-se depois sobre o estojo,
abriu-o cuidadosamente, tirando dele o alaúde restaurado, cuja beleza e brilho eram muito superiores
à sua primeira condição, ao sair das mãos de Adonias o seu luthier. Assentando-se no trono em meio
às aclamações dos súditos, Melquisedeque passou a dedilhar o cetro, tirando dele acordes de muita
harmonia e paz. Todos se aquietaram para ouvirem suas novas composições que expressavam o seu
profundo amor pelo cetro e por todo aquele reino de paz.
Grande emoção invadia o coração de todos naquele momento, levando-os às lágrimas. Samael,
sem forças para reagir, sentia-se torturado por aqueles acordes que faziam reviver em sua mente suas
oportunidades perdidas, numa terrível dor para sua consciência.
Melquisedeque compusera para aquele momento especial, canções que retratavam os
momentos marcantes da história de Salém; Quando passou a cantar sobre a amizade que tinha por
Samael, sua voz embargou-se pelas lágrimas que não conseguia conter. Triste para ele era cantar
sobre a queda daquele que foi-lhe o maior amigo! Cantou então sobre o alto preço que teve de pagar
pela reconquista do cetro, que representa a honra de Salém.
Ao contemplarem aquelas mãos marcadas pelas cicatrizes, tocando com tanta maestria e
carinho o cetro restaurado, os súditos tomados por forte emoção, prostraram-se em pranto.
Ao ver nas nãos de Melquisedeque aquele alaúde que, em suas mãos fora instrumento de
tortura, Samael compreendeu, tarde demais o quanto errara, desviando-se dos conselhos do príncipe;
Quantas vezes aquelas mãos sobre as quais descarregara toda aquela violência haviam sido
estendidas num esforço de salvá-lo, e ele as havia negligenciado. Agora, era tarde demais! Tarde
demais!!!
-------*****-------
Os súditos triunfantes que, reverentes, haviam sido conduzidos a todo aquele passado de
felicidade, traição, dor e triunfo, uniram finalmente as vozes numa jubilosa proclamação:
Verdadeiros e justos são os teus princípios, ó rei de Salém. Digno és de reinar em glória e
majestade entre os louvores de teus fiéis, porque em teu sacrifício nos livraste das ameaças das
trevas, fazendo renascer em nosso coração a alegria do alvorecer.
Esse cântico de exaltação foi seguido pela cerimônia de confirmação de todos os fiéis em sua
vitória. O filho de Adonias, com o seu cetro redimido, passou a selar com um toque especial do cetro,
a vitória de cada um. Formou-se para tanto uma longa fila de fiéis exultantes
Os súditos confirmados, à medida em que iam recebendo o toque de aprovação do rei,
posicionavam-se ao lado direito do trono, onde permaneciam aguardando pela confirmação dos
outros.
Os olhares que, iluminados de alegria, haviam acompanhado o selamento dos últimos justos,
pousaram sobre a figura estranha de Samael que, dominado por uma força irresistível, encaminhava-
se cabisbaixo em direção do trono. Seu aspecto era horrível: seu semblante havia sido deformado
pelo mal; suas vestes estavam sujas e mal cheirosas; tudo nele repugnava, ao ponto de ninguém
reconhecê-lo.
Em meio ao espanto dos súditos, Melquisedeque ergueu-se de seu trono como que ferido por
uma grande dor; De seus lábios os súditos ouviram uma dolorosa exclamação:
- Samael, Samael!!!
A figura deplorável daquele que fora tão belo, encheu a todos de tristeza, e começaram a
prantear. Eles lamentavam por saber que o destino de Samael e de todos aqueles que o seguiram,
poderia ter sido muito diferente, se eles houvessem atendido aos rogos de amor de Adonias e de seu
filho.
Não era o plano do rei e o sonho de Melquisedeque tê-lo como o guardião do pergaminho,
sendo o segundo em honra naquele reino.
Samael que, reconhecendo sua desventura, aproximara-se cabisbaixo do trono, ao presenciar
toda aquela lamentação, foi novamente iludido pelo orgulho, julgando tratar-se de uma demonstração
de fraqueza de seus inimigos. A lembrança de seu exército que fortalecido o aguardava na planície,
iludiu-o com a certeza de que seria vitorioso sobre Salém. Com esse pensamento, ergueu a fronte
marcada pelo ódio e, fitando o rei, levantou o punho cerrado e o desafiou, desdenhando de sua
autoridade, com a ameaça de tomar-lhe o trono.
Ainda que condoídos por sua perdição, os súditos de Salém não suportaram a ousada afronta
daquele enlouquecido jovem que, depois de causar tanto sofrimento, ainda era capaz de erguer-se
com tamanho desafio.
O vitorioso rei que com tanto prazer selara com o seu cetro a conquista dos fiéis, ergueu-o
dolorosamente para o selamento da triste sorte dos rebeldes. Imobilizado por uma força estranha,
Samael, sem desviar os olhos do cetro, ouviu dos lábios do rei a proclamação de seu julgamento e de
todos os seguidores: Prisioneiros de uma força invisível, ficariam retidos em suas cavernas por seis
anos, sendo depois visitados pelo fogo do juízo que os destruiria juntamente com as cidades que a
eles se aliaram.
-------******-------
Ao ir para a cama depois daquele dia de tantas emoções, o jovem rei, imerso nas lembranças
daquele passado de felicidade e dor, rolava em sua cama insone. Quando finalmente adormeceu, teve
um sonho muito significativo.
No sonho, apareceu-lhe um anjo luminoso, que saudou-o com um sorriso, dizendo-lhe que todo
o Universo acompanhava com atenção todo aquele drama que estavam vivendo, e que o mesmo
tinha um sentido prefigurativo, retratando acontecimentos passados e futuros, que envolvia todo o
vasto universo.
As palavras do anjo despertaram em Melquisedeque um grande desejo de conhecer a história
desse drama cósmico.
Conhecendo o seu anseio, o anjo arrebatou-o no sonho revelando-lhe um distante futuro.
Diante de seus olhos manifestaram-se as glórias de uma nova e esplêndida Salém, cujas muralhas e
mansões eram de pedras preciosas; Os portais da cidade eram de pérolas. Suas amplas avenidas
eram de ouro puro. A cidade era quadrangular e se estendia por centenas de quilômetros. Estava
dividida em dois setores distintos: Norte e Sul. Ao Sul elevavam-se incontáveis mansões, habitações
eternas de anjos e de seres humanos redimidos; Ao Norte havia um lindo paraíso ao qual o anjo
revelou ser o jardim do Éden. Ali, em ambas as margens do rio da vida, havia campos repletos de
todo tipo de vegetação, com flores e frutos em abundância. Viviam ali em perfeita harmonia, todas as
espécies de aves e animais.
No meio do paraíso podia-se ver uma montanha fulgurante, a qual o anjo afirmou ser o monte
Sião, o lugar do trono de Deus. Era daquele monte que emanava o rio da vida, fluindo por toda a
cidade.
Quando alcançaram o topo da montanha sagrada, o rei de Salém ficou deslumbrado com o
cenário visto ao seu redor. Encontrava-se na parte mais elevada de Sião a mais linda de todas as
edificações revelado pelo anjo como o palácio de Deus.
Aquela magnífica construção era sustentada
por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de lindas pérolas.
Ao redor do palácio, floresciam a mais exuberante vegetação: havia ali o pinheiro, o cipreste,
a oliveira, a murta, a romãzeira e a figueira, curvada ao peso de seus figos maduros.
Enquanto admirava-se ante a beleza daquele lugar, o anjo disse-lhe que a nenhum ser humano
fora dado o privilégio de ver o interior daquele palácio de Deus. A ele seria dada esta honra, pois fora
escolhido para ser o portador das mais amplas revelações sobre o reino da luz.
Ao transporem com reverência um dos portais de pérolas, prostraram-se em adoração, enquanto
ouviam o cântico de uma multidão de serafins, que circundavam o trono, em constante louvor
Àquele que Era, que É e que Sempre Será.
Ao olhar para Aquele que estava assentado sobre o trono, Melquisedeque ficou surpreso ao
descobrir a figura de um homem. Ele estava coberto por um manto de linho fino, de uma alvura sem
igual, e tinha sobre a cabeça uma coroa formada por sete coroas sobrepostas, repletas de pedras
preciosas.
Ao olhar para as mãos que sustentavam o cetro, o filho de Adonias ficou surpreso ao descobrir
nelas cicatrizes de ferimentos, semelhantes àquelas em suas mãos. O anjo afirmou-lhe ser o Messias,
o Grande Melquisedeque, a manifestação visível de Yahweh, o Deus Invisível.
Atraído para o cetro resplandecente, com o qual o Messias governava sobre todo o Universo, o
rei de Salém viu nele o selo do domínio, e nele escrito o nome: Israel.
Tomado por profunda emoção, Melquisedeque prostrou-se ante o Rei daquela eterna Salém, e,
revivendo ali a história de sua pequena cidade, teve desejo de conhecer o grande drama da história
universal. Conhecendo o desejo de seu coração, o anjo disse-lhe:
- Agora lhe farei conhecer a história desta gloriosa Salém. Tudo o que lhe for mostrado na
visão, você deverá registrar fielmente em um rolo. Você terá seis anos para escrevê-los. Ao fim dos
sete anos, você receberá das mãos de um ancião um vaso contendo um rolo especial, com muitas
revelações importantes, entre as quais estará a história de Salém. Você tomará esse rolo, e o
costurará ao seu, formando um único rolo. Você o devolverá juntamente com o vaso ao patriarca
para que ele o leve ao lugar que lhe mostrarei, onde ficará oculto até o fim dos dias. As revelações
desse grande rolo, consistirão na luz e no consolo que enviarei aos escolhidos por ocasião da última
semana de anos da históriaDepois de falar ao rei de Salém estas palavras, o anjo conduziu-o
em visão a um infinito passado, quando o Universo ainda não existia.
Uma história muito parecida com a de Salém passou a desdobrar-se diante de seus olhos;
porém, numa dimensão infinitamente maior, começando pela criação do reino da luz. Com admiração
contemplou a formação de bilhões de mundos e estrelas, repletos de vida e felicidade que passaram a
girar em torno da Salém Celeste, o paraíso de Deus.
Sua atenção voltou-se depois para o mais belo de todos os querubins que, honrado pelo
Criador, passou a residir com Ele em Seu palácio. Uma eternidade de felicidade e paz parecia
embalar aquele reino, quando a mesma experiência de egoísmo e rebeldia vivida por Samael,
começou a repetir-se na vida daquele anjo amado.
Cenas de uma grande rebelião começaram a ser mostradas a Melquisedeque, envolvendo todos
os habitantes do Universo. O querubim honrado, semelhante a Samael, seduzira um terço das hostes
que, passaram a reverenciá-lo como rei.
Em meio às cenas daquele grande conflito, o rei de Salém testemunhou a criação do planeta
Terra, sobre a qual surgiu o homem como cetro racional daquele reino disputado.
Com agonia viu o momento em que o chefe da rebelião aproximou-se subtilmente do paraíso,
apossando-se do ser humano, depois de seduzi-lo com tentações. Ouviu então o seu brado, numa
proclamação de vitória. A partir daquele momento, o inimigo de Deus passou a arruinar o ser
humano, apagando nele todos os traços da glória divina, como Samael fizera com o cetro.
A sua própria experiência, ao declarar naquela manhã aos súditos de Salém sua decisão de ir
em busca do cetro perdido, começou a repetir-se diante de Seus olhos.
Reunindo as hostes que haviam permanecido fiéis ao Seu governo, o Criador passou a revelar
um plano de resgate: Ele haveria de ir em busca do homem, e o remiria, ainda que isto lhe custasse
infinito sacrifício. Diante desta revelação, o filho de Adonias prostrou-se comovido, ao descobrir que
em sua vida tivera a honra de retratara o próprio Messias.
Todo o drama vivido pelo filho de Adonias em sua angustiante busca, até o momento de seu
suplício pela redenção do cetro, foi ganhando amplitude naquela visão que abarcava toda uma
eternidade. Diante de seus olhos desfilavam cenas de uma grande batalha que, sem trégua se
estenderia até o dia do juízo final, quando o Messias, o Grande Melquisedeque, vitorioso,
empunharia o cetro redimido, selando com ele a condenação de todos os filhos de Belial..
Através das revelações recebidas do anjo, Melquisedeque tomou conhecimento do livramento
alcançado por ocasião de sua coroação, quando diante de trezentos pastores com seus vasos
incendiados, exércitos de cinco reis tombaram, saindo livres os cativos.
Conhecendo nossa intenção de subir à Salém por ocasião de Sukot, o rei fez preparativos para
uma grande festa, na qual comemoraríamos juntos a vitória sobre toda a desarmonia gerada pelo
orgulho e pelo egoísmo.
Foi por isso que ao chegarmos a Salém, ficamos surpresos com toda aquela honrada recepção.
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Ocupar-me com o relato de todos esses acontecimentos, fez-me passar por todo este sétimo
ano, quase sem notar os seus dias, que passaram velozes. Estamos hoje às portas de um novo Rosh
Hashanah, quando os 300 pastores tocarão os chifres, convocando todos aqueles que possuem as
pérolas, para a reunião solene de Yom Kipur. Cinco dias depois seremos recebidos em Salém para a
festa de Sukot.
A certeza de que acontecimentos importantes ainda deverão ser relatados neste rolo, fez-me
reservar um espaço, no qual registrarei, dia após dia, os fatos, até a consumação desta história que
estamos vivendo.
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